Resenha: Tartarugas até lá embaixo, John Green

Não é segredo nenhum meu amor pelos livros do John Green. Desde o lançamento de A Culpa é das Estrelas em 2012, quando conheci a obra do autor, mergulhei em todos os livros dele e não via a hora de um novo ser lançado. E enfim esse dia chegou.

Tartarugas até lá embaixo, lançado esse ano pela Intrínseca, é um livro com todos os aspectos que estamos acostumados a encontrar nos livros do John Green: emoção, aventura, reflexão e bom humor! A personagem principal, Aza, é extremamente cativante e nos envolve desde a primeira página com sua narração em primeira pessoa, que nos leva através de suas agonias, medos e aflições.

Aza sofre de TOC e síndrome do pânico, questões muito faladas hoje em dia, mas pouco aprofundadas. Durante a narrativa, John conseguiu nos levar para dentro do mundo dela de forma tão profunda que muitas vezes durante a leitura, me peguei pensando em como seria viver com todas essas espirais dentro de minha cabeça. Ele conta, com detalhes, como as crises de ansiedade iniciam, como ela enxerga o mundo e como coisas simples desencadeiam um turbilhão de pensamentos e emoções que a levam ao ciclo vicioso do seu TOC.

Além de lidar com seus próprios problemas no dia-a-dia, Aza também tem que conviver uma melhor amiga que não parece compreender totalmente suas necessidades e problemas, uma mãe super protetora que nem sempre encontra a melhor forma de ajuda-la – mas que se esforça para conseguir -, as saudades do pai falecido e ainda por cima se vê no meio de uma trama cinematográfica envolvendo o desaparecimento do pai milionário de um ex-amigo de infância.

Como se tudo isso já não fosse o suficiente para manter suas emoções à flor da pele, algumas descobertas a respeito dos sentimentos de outras pessoas com relação a ela e de novas sensações que até então ela evitava, inflamam a história e nos levam a momentos críticos e extremamente emocionantes durante a leitura. É impossível parar no meio, como todas as outras obras do autor.

Se você quer um livro que traga à tona diversas emoções, te faça e rir e torcer pelo destino de cada um dos personagens, Tartarugas até lá embaixo é a leitura que você está procurando. Vale à pena e, obviamente, te deixa com aquela sensação de “quero mais” quando acaba.

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BEUC #02 | Resenha: Fangirl, Rainbow Rowell

Fangirl, de Rainbow Rowell | ano: 2014 | 424 pgs.
Fangirl, de Rainbow Rowell Ano: 2014 | 424 pgs.

Em uma tentativa frustrada de um projeto de Clube do Livro no Facebook, surgiu a sugestão do livro Fangirl, do qual nunca tinha ouvido falar, mas que mesmo assim conseguiu me prender na hora só por causa do título. Principalmente porque isso tudo foi na época pré-show do Green Day, então eu estava mais fangirl do que nunca na vida.

Quando vi que o livro era da Rainbow Rowell, não rolou uma identifcação de cara, me julguem por isso. Eu lembrava de ter escutado falar sobre a autora, mas ainda não tinha lido nada dela e não liguei o nome à pessoa – eu queria ler Anexos há bastante tempo, mas só depois de terminar Fangirl e ter ido pesquisar sobre a Rainbow descobri que era dela, além de Eleanor & Park e outros títulos que me interessaram muito.

Sobre Fangirl só posso dizer uma coisa: que livro delicioso de ler! Ele conta a história de Cather (Cath, para todos) em um momento crucial de mudança de vida para ela, uma jovem adulta que está ingressando na faculdade e que possui alguns problemas de fobia social e ansiedade.

Tendo crescido com um pai muito amoroso, mesmo que um pouco excêntrico – por motivos que são melhor explicados no decorrer da leitura – e uma irmã gêmea que sempre foi sua melhor amiga e companheira fiel, mas que ao chegar à faculdade decide viver uma vida totalmente independente, nossa protagonista se agarra com todas as forças aos personagens de sua saga literária favorita, Simon Snow, mesmo que para ela eles sejam muito mais do que isso. Cath é autora da fanfic mais famosa entre os leitores da saga e trata isso com muito carinho e importância.

A forma como Rainbow Rowell aborda todo esse amor de Cath por Snow é perfeita. Ela insere trechos dos livros fictícios em cada capítulo e também nos apresenta ao mundo das fanfics, apresentando fragmentos das histórias que a própria Cath criou. Ou seja, ela escreve por três pontos de vista diferentes, cada um com suas peculiaridades: a história central – a qual ela narra, a história original de Simon Snow – através dos olhos da autora Gemma T. Leslie e as fanfics – escritas pela perspectiva de Cath.

O livro aborda temas muito delicados e tensos, como a relação complicada (pode-se dizer que praticamente inexistente) das gêmeas com a mãe e a forma como cada uma lidou com isso. A importância dos laços familiares e de aprender a confiar nas pessoas, se abrir e aceitar nova oportunidades na vida.

Cath vive uma verdadeira montanha russa emocional durante as 424 páginas de Fangirl: desde a mudança no seu relacionamento com a irmã – Wren, passando pela dificuldade de se entrosar com Reagan, as dificuldades para manter o foco necessário em seu primeiro ano de faculdade e desafios inesperados que a fazem duvidar cada vez mais de si mesma e dificultam seu progresso nas interações sociais. Mas no meio disso tudo, ela é recompensada pela amizade (será que é só isso?) de Levi, de quem desconfiava e com quem aprende a se deixar levar, pelo menos um pouquinho, a princípio.

A narrativa do livro é muito leve, apesar de apresentar tantos temas que poderiam ser bem pesados, e te faz seguir por páginas e páginas sem cansar, dando cada vez mais vontade de seguir adiante. Ele termina deixando uma sensação imensa de quero mais, sem dúvida alguma, e é uma bela porta de entrada para os livros da Rainbow – inclusive aproveitei a Black Friday para garantir os meus.

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As resenhas que nunca escrevi

Tenho uma confissão a fazer: eu, a louca dos livros, que aproveitava as férias escolares para ler no mínimo um livro a cada dois dias. Que cultiva o hábito da leitura desde os oito anos de idade. Que sabe quase de cabeça o enredo das histórias dos seus autores favoritos. Que se acabava de curiosidade nos livros e contos de detetives, que leu de Aghata Christie a Arthur Conan Doyle, Sir Edgar Allan Poe, Marcos Rey e Medeiros e Albuquerque em uma coletânea maravilhos da “Para Gostar de Ler” e que ostenta uma carteirinha de biblioteca pública até hoje, nunca resenhei nenhuma das leituras que fiz ao longo desses anos.

E ao pensar nisso, acho tão incrível e improvável ao mesmo tempo, que não consigo entender porque nunca o fiz. Quando criança, logo que comecei a ler Meg Cabot e J.K. Rowling, alternava meus estilos de leitura praticamente toda semana, ainda usando a biblioteca limitada da escola estadual em que estudava, não consigo lembrar de uma fase da minha vida em que não tivesse interesse por ler e isso aflorou desde cedo minha paixão por escrever. E o mais óbvio seria praticar minha redação aproveitando para falar sobre o que eu lia, só que nunca aconteceu.

Eis que a necessidade de ter assunto para 30 posts (sem contar que já tenho dois atrasados, mas tô dando meu melhor nesse primeiro BEDA) me fez pensar: por que não? Então vou me arriscar e tentar fazer algumas resenhas. Já sei até qual vai ser o primeiro livro e tenho uma ideia do que vou falar, mas vou querer o apoio e a opinião de vocês para saber o que posso melhorar. Acho que as resenhas, no fim das contas, vão ser mais para mim, para poder acompanhar, ao longo do tempo, como é minha visão e minha relação com os livros que leio.

Eu tinha um desafio pessoal no começo do ano de ler 52 livros em 2017 (um por semana) e já falhei com isso, estou no 16º no momento, acho que de 52 devo chegar no máximo a uns 30, e isso sendo otimista, então decidi começar daí. As primeiras resenhas que farei serão dos livros que li esse ano, que ainda estão frescos na memória e já ocupam um espaço no meu coração. Acho que resenhar os meus preferidos exige muita responsabilidade, porque quero fazer com detalhe e muito amor, não quero entregar algo meia boca, pela importância que eles têm na minha vida.

Então, fiquem avisado: vai ter resenha em breve, sim. Não garanto que vão ser das melhores (no começo), mas vão ter paixão. Vão ter uma visão crítica porque sou virginiana e ao mesmo tempo uma visão romantizada que acho que toda obra deve ter, porque tenho lua em peixes. Mas vamos deixar meu mapa astral para outro post, por enquanto, aguardem minha primeira resenha, tá chegando. Eu prometo!

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